A saúde mental no trabalho é, em grande medida, um reflexo da cultura organizacional. Empresas com culturas marcadas por competição excessiva, falta de transparência, liderança autoritária ou ausência de suporte apresentam taxas significativamente maiores de adoecimento psíquico entre seus colaboradores.
Essa relação entre cultura, liderança e saúde mental não é apenas uma questão de bem-estar: ela tem implicações diretas sobre a adequação à NR-1 atualizada pela Portaria MTE nº 1.419/2024, que passou a exigir a gestão dos fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho. Muitos desses fatores estão diretamente ligados à forma como as lideranças organizam o trabalho, se comunicam e se relacionam com suas equipes.
A relação com o gestor direto é consistentemente apontada pela literatura científica como um dos principais preditores de bem-estar ou sofrimento no trabalho. Estudos conduzidos em diferentes países e setores mostram que:
Esses dados têm uma consequência prática importante: investir no desenvolvimento de lideranças é uma das estratégias com maior impacto sobre a saúde mental organizacional.
O conceito de segurança psicológica, desenvolvido pela pesquisadora Amy Edmondson da Harvard Business School, refere-se à crença compartilhada de que é seguro assumir riscos interpessoais no trabalho — como fazer perguntas, admitir erros, expressar opiniões divergentes ou sinalizar problemas sem medo de punição ou humilhação.
Ambientes com baixa segurança psicológica são ambientes onde os trabalhadores não se sentem seguros para comunicar dificuldades — o que significa que os fatores de risco psicossocial permanecem ocultos, não são reportados e, portanto, não são gerenciados.
Do ponto de vista da NR-1, isso representa um problema concreto: se os trabalhadores não se sentem seguros para reportar situações de risco, a empresa não consegue identificar e avaliar adequadamente os fatores psicossociais — o que compromete todo o processo de gestão de riscos exigido pela norma.
Com base na literatura científica e nas exigências da NR-1, alguns comportamentos de liderança têm impacto direto sobre os fatores de risco psicossocial:
Uma cultura organizacional psicologicamente saudável não é uma cultura sem conflitos ou sem pressão. É uma cultura que:
Essa cultura não surge espontaneamente. Ela é construída por meio de decisões de gestão, políticas organizacionais e, principalmente, do comportamento das lideranças.
A atualização da NR-1 não trata os riscos psicossociais como um problema exclusivo do RH ou da área de saúde ocupacional. Ao incluí-los no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), a norma reconhece que esses fatores estão relacionados à organização do trabalho — e que, portanto, a responsabilidade pela sua gestão é compartilhada por toda a cadeia de liderança.
Isso significa que gestores de todos os níveis precisam:
A capacitação de lideranças em saúde mental organizacional é, portanto, uma medida alinhada às exigências da NR-1 e um investimento estratégico para as empresas.
A liderança pode ser o principal fator de proteção da saúde mental nas organizações — ou o principal fator de risco. A diferença está no desenvolvimento de competências específicas e na construção de uma cultura que coloca a saúde mental no centro das decisões de gestão.
Empresas que investem nesse desenvolvimento não apenas cumprem as exigências da NR-1: elas constroem ambientes mais produtivos, mais resilientes e mais sustentáveis a longo prazo.
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Dra. Roberta Palermo
CRP 06/182194
Psicóloga e consultora em gestão de riscos psicossociais para adequação à NR-1, com trajetória em saúde mental, educação e gestão organizacional.
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